

Em determinado dia fui chamado para avaliar no Pronto Socorro um rapaz que havia sofrido um trauma em sua mão e estava com o dedo “rodado”. Chegando lá, ao me aproximar do paciente, notei um jovem de cerca de 20 anos, que segurava sua mão e olhava para baixo. Questionei-o sobre o que havia ocorrido, ele me disse:
“Dr., estava assistindo a partida final do Campeonato e meu time, aos 42 minutos do segundo tempo, sofreu um gol que o levou a derrota. Com a cabeça quente eu dei um soco na parede! Imediatamente senti muita dor e um estalo em minha mão. Olhei para ela e vi que meu dedo estava torto. Dr., tem como consertar minha mão?”
Examinando-o, notei que havia edema e dor na topografia do quinto metacarpo. Logo criei minha hipótese diagnóstica, que depois se cofirmou pela radiografia:

Metacarpo é o nome que damos a um dos ossos longos que possuímos em nossa mão. Possuímos cinco metacarpos que se articulam com as falanges dos dedos e com os demais ossos do punho.
Acomete mais homens entre 10-40 anos causado por quedas, acidentes ou traumas diretos, como os ocorridos em socos ou atividades industriais.
Na suspeita de fratura do metacarpo devemos iniciar repouso absoluto da mão traumatizada e buscar atendimento especializado.
O tratamento da fratura do metacarpo pode ser feito de forma conservadora (sem cirurgia) ou cirúrgica. A escolha do tipo de tratamento envolve o tipo de fratura, o metacarpo fraturado e os desvios que ocorram no osso acometido.
Definido que a fratura pode ser tratada conservadoramente, iniciamos com uma imobilização para que o osso consolide. Essa imobilização pode ser feita de gesso convencional, sintético ou mesmos órteses confeccionadas de material rígido por um profissional habilitado.
Se foi definido o tratamento conservador, preconiza-se um intervalo de 3 a 6 semanas com a imobilização. Nas consultas de acompanhamento define-se o melhor tempo para a retirada da imobilização de acordo com a evolução dos exames de imagem e do exame físico.
Orienta-se que a mão permaneça mais elevada para evitar o edema e dor da mão com a fratura do metacarpo. O paciente deve seguir os movimentos orientados por seu especialista a fim de auxiliar na reabilitação e mesmo evitar a piora do quadro, que pode se tornar cirúrgico.
O tratamento cirúrgico da fratura do metacarpo lança mão de implantes cirúrgicos que são definidos conforme o traço e localização da fratura no metacarpo. O especialista pode optar pelo uso de placas, parafusos, fios/hastes metálicas ou, em casos mais complexos, fixadores externos.


No pós-operatório do tratamento cirúrgico da fratura do metacarpo o paciente é orientado a manter o membro elevado, seguir os movimentos permitidos pelo seu especialista e evitar apoiar-se e carregar peso com a mão operada.
O tempo de imobilização depende da estabilidade atingida na fixação cirúrgica da fratura do metacarpo. Em alguns casos opta-se pela mobilidade precoce sem imobilizações e, em outros, fica-se com a imobilização pelo período de 3-6 semanas.
A reabilitação da fratura do metacarpo busca restabelecer a mobilidade, força e precisão do membro lesionado. A reabilitação é feita em conjunto com um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta qualificados no tratamento de patologias da mão, sendo fundamentais para que o paciente tenha um bom resultado.
Dr. Guilherme Meneghel
Ortopedia | Cirurgia da mão e punho
CRM: 183.821 | RQE: 91013/ 111694