

Há 1 mês atendi uma jovem senhora, na casa dos seus 50 anos, com um aspecto de cansada. Recordo-me de seus olhos fundos e de suas olheiras largas mas, sobretudo, de sua queixa tão logo começamos a consulta:
“Dr., tem mais de um mês que eu não sei o que é uma boa noite de sono. Durante os dias em que eu mais trabalhava, minha mãos formigavam a noite toda, e isso atrapalhava meu sono. Agora, o formigamento me visita religiosamente, toda a noite, e eu não consigo mais dormir quando ele surge. Dr., como posso fazer para voltar a ter uma boa noite de sono?”
Preocupado com sua queixa, examinei-a e tive minha principal hipótese diagnóstica”

É o nome dado ao conjunto de sinais e sintomas que ocorrem quando há a compressão do nervo mediano em sua passagem pelo túnel do carpo.
A síndrome do túnel do carpo tem como principais sintomas o formigamento e dor no punho que irradia para os dedos, sobretudo os dedos polegar, indicador e médio; e que pode irradiar, por vezes, para região do antebraço. Também, podem se associar, a redução da força dos dedos, principalmente do polegar, bem como a atrofia progressiva da musculatura da região tenar(região localizada na base do polegar).
A síndrome do túnel do carpo ocorre quando o nervo mediano é comprimido dentro do túnel do carpo.
Este, nada mais é do que um espaço(“túnel”) pelo qual o nervo mediano passa em conjunto com mais 9 tendões que são os responsáveis por fletir(dobrar) os dedos.
Localizado na altura do punho, é um espaço com pouca complacência, logo, o aumento da pressão em seu interior acaba comprimindo o nervo, já que não há uma acomodação dessa pressão.

Acomete mais mulheres, acima dos 40 anos, podendo ou não estar associadas a condições como gestação, doença renal crônica, reumatopatias e diabetes, por exemplo.
Apesar disso, a síndrome do túnel do carpo aparece geralmente em pacientes que exerçam atividades manuais que deixem o punho em uma posição estática, seja ela dobrada ou estendida. Por exemplo, aparece numa rotina com manuseio do mouse, leitura de livros ou dirigir.
O cuidado com a saúde, para evitar o aparecimento ou o controle das doenças associadas.
Evitar fazer atividades com longa duração do punho numa posição estática fletida ou estendida.
Realizar pausas periódicas e alongamentos durante longas rotinas laborais. Todas são medidas que auxiliam.
A presença dos sintomas de formigamento e perda de força (sobretudo dos dedos polegar, indicador e médio), que ocorrem também à noite, são sintomas sugestivos da síndrome do túnel do carpo.
No exame físico fazemos testes que positivam em sua presença e, para auxílio diagnóstico, pode-se solicitar uma eletroneuromiografia(do membro) ou uma ultrassonografia(da região do túnel do carpo).
A compressão prolongada do nervo mediano vai levando, ao longo do tempo, à perda da sensibilidade no território inervado pelo nervo mediano. Contudo, o maior dano ocorre na perda da força da musculatura da mão que tem o nervo mediano como maior responsável. Qual seja, parte da musculatura envolvida no movimento e força do polegar.
Importante ressaltar que os danos ao movimento tendem a ser irreparáveis com o tempo, daí vem a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
O tratamento da síndrome do túnel do carpo divide-se em tratamento conservador(não cirúrgico) e cirúrgico.
O tratamento da síndrome do túnel do carpo não cirúrgico é feito com o uso de medicações, fisioterapia para auxiliar na mobilidade do nervo mediano e órtese notura deixando o punho em posição neutra.
A cirurgia da síndrome do túnel do carpo, do ponto de vista cirúrgico, visa a liberação do retináculo dos flexores. Este, nada mais é do que o teto do túnel do carpo. Portanto, a secção do retináculo permite o aumento da complacência das estruturas que compõem o túnel do carpo. Com isso, reduz-se a pressão sobre o nervo mediano, levando na grande maioria dos casos à melhora progressiva dos sintomas da síndrome do túnel do carpo.
Não há um melhor tratamento. Há a melhor opção para o estágio em que o paciente se encontra.
Nos estágios iniciais tentamos o tratamento não cirúrgico da síndrome do túnel do carpo, com as medidas citadas, e acompanhamos a resposta ao tratamento da síndrome do túnel do carpo.
Já nos casos mais avançados, a cirurgia pode ganhar maior notoriedade.
Em linhas gerais, o paciente pode retornar às rotinas manuais, que não exerçam força com a mão operada, com cerca de 1 mês após a cirurgia do túnel do carpo.
Nesse primeiro mês, ensina-se medidas para controle do edema, ganho de mobilidade dos dedos e medicações para uso, quando houver alguma dor.
Sim. Apesar de estatisticamente baixa, a recorrência dos sintomas pode ocorrer ao longo do tempo.
É importante o paciente ter ciência desse risco e, mesmo existindo e sendo baixa, não exclui as indicações da cirurgia do túnel do carpo para seu tratamento, quando necessário.
Dr. Guilherme Meneghel
Ortopedia | Cirurgia da mão e punho
CRM: 183.821 | RQE: 91013/ 111694