


Você pega o bebê no colo, e uma fisgada percorre o polegar até o punho. Abrir um pote, torcer um pano ou até pegar o celular passou a doer. Se isso começou durante a gravidez ou nos primeiros meses depois do parto, é possível que você esteja com o chamado polegar de mãe ou punho de mãe.
O nome popular é carinhoso, mas a dor é real e atrapalha o dia a dia. A boa notícia: a condição é bem conhecida, tem diagnóstico simples e tratamento eficaz. Neste artigo, explico o que é, por que acontece, como reconhecer e quando procurar um cirurgião de mão.
O polegar de mãe é o nome popular da tenossinovite de De Quervain, uma inflamação dos tendões que movem o polegar, na região do punho do lado do polegar.
Dois tendões passam juntos por um pequeno “túnel” (a bainha do primeiro compartimento dorsal do punho). Quando esse túnel e os tendões ficam espessados e inflamados, o deslizamento deixa de ser suave. O resultado é dor, inchaço e dificuldade para usar a mão.

Também é conhecida como punho de mãe, punho de mamãe, polegar de amamentação ou punho de celular. O quadro não é exclusivo de mães: pode afetar qualquer pessoa, inclusive homens.
A condição é mais comum em mulheres, e ocorre com frequência na gravidez e, principalmente, após o parto. Os motivos mais prováveis são:
Vale uma ressalva honesta: a literatura científica ainda discute o peso real da atividade repetitiva como causa. Não há consenso de que uma tarefa específica “cause” a doença, mas ela claramente piora os sintomas em quem já tem a predisposição. Por isso, não existe culpa: carregar o seu filho não é erro.
São confundidos com frequência, e ambos podem aparecer após o parto. A diferença principal: o polegar de mãe causa sobretudo dor localizada na lateral do punho. Já o túnel do carpo costuma causar formigamento e dormência nos dedos (polegar, indicador e médio), principalmente à noite. Os dois podem coexistir, e o exame médico diferencia.
O diagnóstico é clínico: a história do paciente e o exame físico bastam na grande maioria dos casos. O teste mais conhecido é o teste de Finkelstein: com o polegar fechado dentro da mão, inclina-se o punho para o lado do dedo mínimo. Dor intensa na lateral do punho sugere De Quervain.
Exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, podem ser úteis em casos duvidosos, para avaliar o espessamento da bainha ou outras causas de dor, como a artrose da base do polegar (rizartrose) ou a tendinite por cruzamento (síndrome da intersecção).
A maioria dos casos melhora sem cirurgia. As opções são:
Quando a dor persiste, a infiltração de corticoide na bainha do tendão é uma opção de ótimo custo-benefício e alivia os sintomas de muitos pacientes. É um procedimento rápido, feito em consultório. Em alguns pacientes a bainha possui subdivisões internas, o que pode reduzir o efeito da injeção, e por isso a técnica e a experiência do médico importam. Em mães que amamentam, a indicação deve ser conversada com o especialista.

Reservada aos casos que não melhoram com o tratamento conservador. É uma cirurgia de pequeno porte, realizada no centro cirúrgico, com alta prevista para o mesmo dia, em que se abre o teto do túnel para liberar os tendões. É feita com cuidado para proteger o pequeno nervo sensitivo da região (ramo sensitivo do nervo radial). Em geral, a recuperação é rápida, com retorno gradual às atividades.
Sem tratamento, muitos casos melhoram espontaneamente ao longo de cerca de um ano, mas você não precisa sofrer esse tempo todo. O tratamento adequado encurta o período de dor e devolve a qualidade de vida ao cuidar do bebê.
Agende uma avaliação se:
O polegar de mãe tem cura?
Sim. A grande maioria dos pacientes melhora com tala, ajustes de postura e, quando necessário, infiltração. A cirurgia resolve os casos mais resistentes.
Polegar de mãe e De Quervain são a mesma coisa?
Sim. “Polegar de mãe” ou “punho de mãe” são nomes populares para a tenossinovite de De Quervain.
Posso amamentar e fazer a infiltração?
Em geral, a decisão é individual e deve ser conversada com o especialista em mão e punho. Existem alternativas, como tala, fisioterapia e ajustes de postura, que podem ser priorizadas.
Homens também têm?
Sim, embora seja menos comum. Também ocorre em quem usa muito o polegar no trabalho, no esporte ou no celular.
Como saber se é De Quervain ou artrose no polegar?
Os dois causam dor na região do polegar, mas em locais diferentes. A avaliação clínica, com ou sem exames, define o diagnóstico correto.
A dor pode voltar?
Pode, especialmente se a sobrecarga persistir. Por isso, a correção do jeito de pegar o bebê é parte do tratamento.
O polegar de mãe é frequente, incômodo e tratável. Reconhecer os sintomas cedo e ajustar a rotina fazem grande diferença. Se a dor está atrapalhando o seu dia a dia e o cuidado com o seu bebê, não espere ela passar sozinha: uma avaliação com cirurgião de mão pode indicar o melhor caminho.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Somente um médico pode diagnosticar e indicar o tratamento adequado.
Dr. Guilherme Meneghel
Médico Ortopedista e Traumatologista | Especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia
CRM-SP: 183.821 | RQE Ortopedia: 91013 | RQE Cirurgia da Mão: 111694
Graduação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) | Especialização pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP)
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM)
Consultório: Rua Harmonia, 1323 – Vila Madalena, São Paulo – SP
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