
Em certo dia, atendi em meu consultório uma jovem, na casa dos seus 30 anos, usando uma camisa com manga comprida que cobria seus punhos. Isto chamou-me a atenção, pois estávamos em um dia muito quente e, provavelmente, ela deveria estar sentindo calor com aquela roupa.
Em seguida, contou-me o que lhe trazia para a consulta:
“Dr., apareceu um caroço atrás do meu punho. Está crescendo e me incomodando muito visualmente. Não consigo mais usar pulseiras, relógio e fazer minha academia sem sentir dores. O que é isto?”
Examinei-a e, tão logo veio minha principal hipótese diagnóstica:

O cisto sinovial, ou cisto artrossinovial, é uma espécie de lesão encapsulada que contém um líquido gelatinoso de composição, em partes, semelhante ao encontrado nas articulações.
Ocorre mais comumente no dorso do punho, mas pode aparecer em outroas regiões articulares do corpo.
Dentre as teorias da formação do cisto sinovial, a mais difundida é a de que ocorre a formação de um duto vindo de uma das articulações do punho(mais comumente da articulação escafossemilunar). Esse duto percorre um trajeto ascendente e conduz um líquido mucinoso(semelhante a uma gelatina) que se encapsula mais superficialmente, formando o cisto sinovial.
Mais frequente em mulheres, entre 20-40 anos, podendo ter seu aumento relacionado a atividades manuais. Contudo, pode aparecer em qualquer pessoa.
O paciente pode sentir dores e restrições ao movimentar o punho, sobretudo durante atividades físicas. Dificuldade em colocar pulseiras ou relógios, pela localização da lesão no punho. E, também, pode ocorrer o aumento ou mesmo a diminuição do cisto, conforme haja a mudança da quantidade do seu conteúdo.
O cisto sinovial é uma lesão benigna, sem relatos na literatura de malignização. Contudo, nem toda lesão no punho é um cisto sinovial. Portanto, é muito importante que o paciente consulte com seu especialista em mão para a investigação.
Para o diagnóstico do cisto sinovial partimos da anamnese, na qual investigamos o aparecimento, evolução e sintomas associados. Ao exame físico pesquisamos sua consistência, mobilidade, topografia e outros achados. Ademais, complementamos com exames diagnósticos de imagem, para investigar sua associação com articulações.
O tratamento divide-se entre o não cirúrgico e o cirúrgico. Cada qual é escolhido em conjunto com o paciente durante o acompanhamento.
O tratamento sem cirurgia do cisto sinovial consiste na observação da lesão ou da infiltração.
A infiltração consiste em aspirar o seu conteúdo e, em seguida, na injetar uma medicação. Esta, visa promover uma reação para o fechamento do duto.
Apesar de menos invasiva, a infiltração oferece menores taxas de resolução em comparação a cirurgia do cisto sinovial.
Na cirurgia do cisto sinovial, considerada de pequeno porte, buscamos delimitar o cisto pelo afastamento cuidadoso dos nervos e tendões com a dissecção cuidadosa dos tecidos nobres ao seu redor.
Ao delimitar o cisto, buscaremos seu pedículo(duto) até o ponto em que emerge da cápsula articular.
A partir daqui, iremos interromper a comunicação da articulação com o cisto e retirar a lesão que será analisada pelo laboratório especializado.
Geralmente o paciente recebe alta para sua casa no mesmo dia da cirurgia. Em casa, seguirá as recomendações para controle do edema, mobilidade precoce e medicações para tomar, caso tenha alguma dor. A previsão é de que retorne às suas atividades manuais com 1 mês. Contudo, em cada caso é analisado individualmente o retorno.
Apesar de ser muito baixa, pode ocorrer a recidiva do cisto sinovial ou mesmo a formação de um novo cisto. A taxa de recidiva é bem menor na cirurgia do cisto sinovial do que na infiltração.
Falar em cirurgia é abordar benefícios e riscos. Na cirurgia do cisto sinovial há alguns riscos, como: lesão de tendões, nervos ou infecção. Lembre-se sempre de procurar um profissional treinado e com experiência no tratamento do cisto sinovial.
Dr. Guilherme Meneghel
Ortopedia | Cirurgia da mão e punho
CRM: 183.821 | RQE: 91013/ 111694