


A dor na base do polegar e no punho ao realizar tarefas simples do cotidiano — como segurar o celular, torcer um pano, abrir um pote ou pegar um bebê no colo — é uma queixa frequente. Na maioria das vezes, esse incômodo está relacionado à Tendinite de De Quervain (tecnicamente chamada de tenossinovite estenosante do primeiro compartimento extensor).
Neste artigo, explicamos de forma acessível e fundamentada na literatura médica o que causa o problema, como identificar os sintomas e quais são os tratamentos mais eficazes.
Para mover o polegar, nosso corpo utiliza tendões que funcionam como cordas conectando os músculos do antebraço aos ossos do dedo. Na região lateral do punho, dois tendões específicos — o abdutor longo do polegar (ALP) e o extensor curto do polegar (ECP) — passam juntos por dentro de um túnel osteofibroso estreito com cerca de 2 cm de comprimento.
Quando há sobrecarga mecânica ou atrito constante, a bainha que reveste esse túnel sofre um espessamento (podendo ficar até três vezes mais espessa que o normal). Esse estreitamento impede o deslizamento suave dos tendões, provocando dor a cada movimento.

A dor costuma ter início insidioso e localizar-se na face lateral do punho (próxima à base do polegar). Os sinais mais comuns incluem:

Estudos mostram que a afecção é mais comum no sexo feminino e em adultos com o avançar da idade. Os principais fatores de risco são:
O diagnóstico é essencialmente clínico. A principal manobra realizada pelo especialista é a manobra provocativa (frequentemente chamada de Teste de Finkelstein ou Manobra de Eichhoff):

Ao fechar a mão sobre o polegar e inclinar o punho em direção ao dedo mínimo, o túnel é estirado. Se o movimento reproduzir dor aguda na base do polegar, o teste é considerado positivo. O ultrassom ou ressonância magnética podem ser solicitados para confirmar a espessura da bainha ou identificar septos anatômicos.
Na grande maioria dos casos, o tratamento inicial é conservador (não cirúrgico):

Indicado quando os sintomas persistem após as tentativas de tratamento conservador. Trata-se de um procedimento de pequeno porte, realizado no centro cirúrgico, no qual é feita a abertura do teto do túnel fibroso para que os tendões voltem a deslizar livremente sem resistência. A recuperação funcional completa costuma ocorrer em poucas semanas.
Dr. Guilherme Meneghel
Médico Ortopedista e Traumatologista | Especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia
CRM-SP: 183.821 | RQE Ortopedia: 91013 | RQE Cirurgia da Mão: 111694
Graduação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) | Especialização pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP)
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM)
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