

Você percebeu um nódulo endurecido na palma da mão, perto do dedo anelar ou do mínimo. Com o tempo, ele virou uma espécie de “cordão” sob a pele, e agora o dedo não estica por completo. Ao tentar apoiar a mão aberta sobre a mesa, ou ao colocar a mão no bolso e calçar uma luva, algo atrapalha.
Se isso soa familiar, pode ser a doença de Dupuytren. Ela não é um tumor, não costuma doer e evolui devagar, mas pode limitar bastante o uso da mão. A boa notícia é que existem tratamentos que devolvem a extensão dos dedos, e a decisão sobre quando tratar pode ser tomada com calma.
Neste artigo, explico o que é a doença, quem tem mais risco, como reconhecer os sinais, quais são as opções de tratamento e o que esperar depois.
A doença de Dupuytren (também chamada de contratura de Dupuytren) é um espessamento progressivo da fáscia palmar, uma camada de tecido fibroso que fica logo abaixo da pele da palma da mão e dos dedos.
Nesse processo, o tecido se torna mais espesso e encurta, formando primeiro nódulos e depois cordas que puxam os dedos em direção à palma. Os dedos mais afetados são o anelar e o mínimo.
Um ponto importante: os tendões em si não são o problema. O dedo não estica porque a corda de tecido fibroso o “segura”, e não porque o tendão esteja lesionado. É por isso que a doença é diferente do dedo em gatilho.
A causa exata não é conhecida, mas alguns fatores aumentam a chance de ter a doença:
Também é comum que ela venha acompanhada de nódulos sobre as juntas dos dedos (os “nódulos de Garrod”), de nódulos na sola do pé e, em alguns homens, da doença de Peyronie, que é um endurecimento no pênis. Por isso, vale mencionar essas alterações ao médico.
Vale a ressalva: o trabalho manual, por si só, não parece ser a causa. Em geral, a doença não surge porque você “forçou demais a mão”.

A evolução costuma ser lenta, ao longo de meses ou anos:
Nem todo nódulo evolui para a deformidade. Os dados indicam que, em cerca de 1 a cada 3 pessoas, o nódulo avança para a formação de cordas que puxam o dedo. Mas, como não é possível prever quem vai evoluir, o acompanhamento é importante.
Os três podem causar problema no dedo, mas são diferentes:
O exame com um cirurgião de mão diferencia cada situação.
O diagnóstico é clínico: a história e o exame físico bastam. Exames de imagem, como raio-X ou ressonância, geralmente não são necessários.
Um teste simples ajuda a avaliar a gravidade, o teste da mesa: tente apoiar a palma da mão e os dedos totalmente abertos sobre uma mesa. Se a mão não consegue ficar plana, é um sinal de que a contratura já é importante e merece avaliação.
Esta é a pergunta mais comum. A resposta honesta é:
Tratar mais cedo ajuda em alguns casos, porque a articulação do meio do dedo, quando fica muito tempo dobrada, pode ficar rígida e ser mais difícil de corrigir completamente.
A escolha depende do estágio da doença, dos dedos e articulações envolvidos, da sua rotina e da sua preferência, definida em conjunto com o cirurgião de mão.
Em fases iniciais, sem limitação funcional, acompanha-se a evolução. Nódulos sensíveis podem melhorar com injeção de corticoide, que ajuda a aliviar a dor, mas não interrompe a doença.
Estudos que compararam as duas técnicas não mostraram diferença clara nos resultados e nas recorrências entre a fasciotomia percutânea e a colagenase.

É a opção mais indicada para contraturas mais avançadas, para vários dedos afetados ou quando há comprometimento da articulação do meio do dedo. O cirurgião remove o tecido doente da palma e do dedo, com muito cuidado para preservar nervos, vasos e tendões, que ficam bem próximos.

Em comparação com as técnicas minimamente invasivas, a cirurgia aberta tem menor taxa de recidiva e, em fases mais avançadas, costuma corrigir melhor o dedo. Um estudo comparativo com dois anos de seguimento, por exemplo, observou necessidade de novo tratamento em cerca de 1 a cada 10 pacientes tratados com colagenase, contra cerca de 1 a cada 100 operados.
Como contrapartida, a recuperação é mais longa e há mais risco de rigidez, inchaço e cicatrização demorada, o que torna a terapia da mão parte importante do tratamento.
Depende do procedimento escolhido:
Manter a mão em movimento, seguir a orientação da terapia e comparecer às revisões faz diferença no resultado.
Muitas pessoas convivem bem com nódulos e contraturas leves. Mas, quando a doença progride sem acompanhamento, os dedos podem ficar muito fechados, a articulação do meio do dedo pode ficar rígida e a correção completa pode não ser mais possível. Por isso, a avaliação regular é a melhor forma de escolher o momento certo.
Sim. A recorrência é possível com qualquer tratamento e é mais comum em quem:
Isso não significa que o tratamento “não funcionou”: significa que a doença é crônica e precisa de acompanhamento. Em caso de retorno, é possível tratar novamente.
A doença de Dupuytren tem cura?
Não há cura definitiva, mas existem tratamentos eficazes para corrigir a posição do dedo. A doença pode voltar com o tempo, por isso o acompanhamento é importante.
Dupuytren dói?
Em geral, não. O nódulo pode ser sensível no início, mas a dor costuma diminuir. O principal problema é a limitação do movimento, e não a dor.
Todo nódulo na palma da mão é Dupuytren?
Não. Existem outras causas, como cistos, calos e lesões de tendões ou nervos. A avaliação com um cirurgião de mão confirma o diagnóstico.
Preciso operar sempre?
Não. Se os dedos esticam normalmente e a mão fica plana na mesa, o acompanhamento costuma ser suficiente. A intervenção é considerada quando a deformidade passa a atrapalhar a função.
Qual é o melhor tratamento: fasciotomia percutânea, colagenase ou cirurgia?
Não existe um tratamento único para todos. Os procedimentos minimamente invasivos têm recuperação mais rápida, mas maior chance de recidiva. A cirurgia tem menor recidiva e é mais indicada em casos avançados. A decisão é individualizada.
Exercícios, massagem ou tala impedem a doença de progredir?
Não há tratamento conservador comprovado que impeça a evolução da doença. A orientação do cirurgião de mão ajuda a definir o momento mais adequado para tratar.
Mulheres também têm Dupuytren?
Sim, embora seja menos comum do que nos homens.
Tenho diabetes. Isso muda alguma coisa?
O diabetes está associado à doença de Dupuytren e deve ser informado ao médico, porque pode influenciar o planejamento do tratamento e a recuperação.
A doença de Dupuytren é frequente, de evolução lenta e, na maioria das vezes, indolor, o que faz muitos pacientes adiarem a consulta. Mas nódulo na palma e dedo que deixa de esticar merecem avaliação. Com acompanhamento e tratamento no momento certo, seja por procedimento minimamente invasivo ou por cirurgia, é possível preservar a função da mão e manter o dia a dia sem limitações.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Somente um médico pode diagnosticar e indicar o tratamento adequado.
Dr. Guilherme Meneghel
Médico Ortopedista e Traumatologista | Especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia
CRM-SP: 183.821 | RQE Ortopedia: 91013 | RQE Cirurgia da Mão: 111694
Graduação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) | Especialização pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP)
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM)
Consultório: Rua Harmonia, 1323 – Vila Madalena, São Paulo – SP
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