


Sentir o dedo “travar” ao dobrar, com um estalo doloroso ao tentar esticá-lo novamente, é uma queixa muito comum no consultório — especialmente em quem carrega peso com frequência, como ao pegar um neto ou um bebê no colo. Na maioria das vezes, esse quadro está relacionado ao dedo em gatilho, tecnicamente chamado de tenossinovite estenosante.
Neste artigo, explico de forma acessível o que causa esse travamento, como identificar os sintomas e quais são as opções de tratamento mais eficazes.
Os dedos se dobram graças à ação dos tendões flexores, que funcionam como cordas conectando os músculos do antebraço aos ossos dos dedos. Esses tendões deslizam dentro de túneis estreitos chamados polias, que os mantêm próximos ao osso durante o movimento.
Quando a bainha que reveste esse túnel se inflama e espessa — geralmente na altura da base do dedo, na palma da mão — o tendão passa a ter dificuldade para deslizar livremente. Ele “engasga” na entrada do túnel e, ao vencer essa resistência com força, produz o característico estalo e travamento do dedo.

Os sinais mais comuns do dedo em gatilho incluem:
Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver a condição:
O diagnóstico é eminentemente clínico, feito através do exame físico da mão: o médico identifica o travamento característico ao dobrar e esticar o dedo, além de sentir o nódulo doloroso na base do dedo, na palma da mão. Exames de imagem geralmente não são imperativos, sendo reservados para casos atípicos ou dúvida diagnóstica.

Indicado quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador, ou em casos de dedo já travado numa posição fixa. É um procedimento de pequeno porte, geralmente realizado com o paciente recebendo alta no mesmo dia. Consiste em liberar a polia que está restringindo a passagem do tendão, permitindo que ele volte a deslizar livremente — tomando o cuidado de preservar os feixes vasculonervosos que dão sensibilidade e nutrem o dedo.
A recuperação após a cirurgia costuma ser rápida: orienta-se movimentação precoce dos dedos para reduzir o inchaço, controlar a dor e evitar rigidez, com retorno progressivo às atividades habituais em poucas semanas.
Dr. Guilherme Meneghel
Médico Ortopedista e Traumatologista | Especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia
CRM-SP: 183.821 | RQE Ortopedia: 91013 | RQE Cirurgia da Mão: 111694
Graduação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) | Especialização pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HCFMUSP)
Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM)
Consultório: Rua Harmonia, 1323 – Vila Madalena, São Paulo – SP
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